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Educar sem gritar

 

“O que é que se faz quando se diz 7 ou 8 vezes a mesma coisa e a criança não obedece? Grita-se, não é? Aí vem logo a correr…” dizia-me outro dia um pai. Mas a verdade é que este princípio não tem nada de educador. Sim, é verdade que a prática pode indicar que os gritos são eficientes. Mas isso é a muito curto prazo. E qualquer adulto pode comprovar que os gritos são extremamente cansativos.

 

Quando um pai, cansado de um dia de trabalho, se aproxima da porta do quarto e chama o filho para jantar, espera que ele o ouça e que responda imediatamente. Mas ignora que para a criança é muito mais interessante continuar brincando. 
Quando na enésima chamada explode e grita, o pai não está educando o seu filho a obedecer regras, está manifestando uma emoção: a raiva. Com medo, o mais provável é que a criança finalmente “obedeça” e largue a brincadeira.

A única coisa que aprendeu foi que os adultos também podem ser assustadores e, assim, verem os seus pedidos satisfeitos.

 

Sim, os gritos são eficazes. Sempre que conseguirmos assustar as nossas crianças, elas farão aquilo que quisermos. A grande desvantagem é que, como não aprendem mais nada, elas passarão a obedecer-nos APENAS quando gritarmos. E isso é tão desgastante! De repente, entra-se num ciclo vicioso de que é difícil sair. E rotula-se a criança de teimosa.

Se você se sentir exausto, impaciente, é bom que aprenda a gerir essas emoções em vez de se limitar a exterioriza-las de forma impulsiva (e ainda culpar as suas crianças). Em vez de chamar pela criança a partir da porta do quarto, vale a pena aproximar-se dela, baixar-se e, de olhos nos olhos, tentar captar a sua atenção. Dizer-lhe baixinho que está cansado e precisa que ela colabore consigo e venha para a mesa pode produzir um milagre: o milagre da educação.

 

A maior parte dos gritos não são verdadeiras escolhas. São manifestações do cansaço acumulado. Se quisermos que as crianças sejam solidárias com o cansaço que sentimos, temos, em primeiro lugar, de lhes ensinar – pelo exemplo - a exteriorizar essa emoção de forma estruturada e não impulsiva. Descarregar nelas o que quer que sintamos é, além de infrutífero, tremendamente injusto. Quem explode não comunica de forma clara e, consequentemente, não educa.

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